Anda por aí, em Portugal, um espectro. O espectro da poesia.
Por mais que lhes enfiem o epíteto de pequeno nicho os leitores/consumidores de poesia fazem parte, consciente ou inconscientemente, de uma certa elitização do mundo dos versos. A falta de projecção destas obras, torna-as menores. Mais pequenas do que um romance sazonal, assente durante algumas semanas nos escaparates de uma qualquer livraria à mercê daa leis economicistas do mercado.
Nós, a geração rasca, nascida nos anos oitenta, criados pela cumplicidade dos anos noventa, perdemos o hábito do poema. A seguir ao fervor que se instalou após a revolução dos cravos, lentamente, os versos foram deixando de ter lugar nos meios literários. Desde então, a meu ver, pequenas elites intelectuais têm brotado como única forma de sobrevivencia da poesia Portuguesa: tão grande em tempos, mas num declínio cada vez mais inevitável.
Tão pouco é um mal que se confina somente à poesia. A literatura, em geral, padece deste problema em Portugal. Apesar de mais alfabetizados, com um acesso à informação maior e criterioso, deixámos de ler. Os jovens, na sua maioria, preferem os filmes. Ler implica perder tempo, requer prática e concentração. Elemente necessários, mas em vias de extinção numa sociedade moldada pela dispersão da informação, pelo défice de atenção, pela fragmentação do próprio raciocínio.
Contudo, fiquei contente quando encontrei no Expresso de hoje uma crítica literária, muito positiva, ao novo livro do Miguel Manso. É uma esperança pensar que pode haver espaço para as novas mentes literárias.
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