segunda-feira, 10 de junho de 2013

Crónicas 100613

Vivemos depressa demais. Sem tempo, em stress, sem reflexão. Os momentos não existem, esmorecem, enquanto os anos passam pelas nossas rotinas.

Acordamos à mesma hora e - como disse Bukowski - somos forçados a cagar, mijar e comer antes de enfrentarmos uma jornada de oito horas de trabalho. Cagamos à pressa, mijamos à pressa e enfardamos o que conseguimos num estômago ainda entorpecido pelo sono. Na televisão, as notícias escorrem desgraças e efemérides que acabam por não ser mais do que imagens e sons, sem nexo, sem linha narrativa. Nada de novo; a violência do costume, as palavras do costume.

Não conseguimos acompanhar um mundo que não espera por nós. Tudo é novidade e, ávidos de consumo, compramos aquilo que nos falta sentir. Mas compramos os sentimentos mais ranhosos que há por aí; são efémeros, vão-se num instante. Depois, voltamos à impaciência característica dos filhos únicos: ou pedem por mais, ou resignam-se numa birra que pode chegar a demorar um dia.

Gostava de largar o meu nihilismo numa esquina de um bar. Fazia-me de esquecido. Bebia uns copos, e durante uma das mijas nocturnas, largava-o lá. Já agora, padecendo de algum tempo - e é tempo o que aqui se discute - livrava-me da melancolia e misantropia. A primeira fatiga-me, a outra atormenta-me. Ambas me queimam o tempo.

E vivemos depressa de mais. Hoje, então, o dia passou a correr. Nasceu dia de Portugal e pôr-se-á com o pesar de uma nação adormecida; não pela hora tardia nem pela imposição da noite, mas sim pela falta de atenção ao pormenor do que nos rodeia. Pois está claro então que depressa e bem, não há quem.

Eu, como qualquer um dos impacientes, tenho pouco tempo para estas trampas. Stresso-me com estas discussões do aproveitamento e usabilidade do tempo que temos para nós. Porém, dá-me que pensar que, o tempo perdido a discutir esta questão, é isso mesmo: tempo perdido.

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